O ato de cuidar pode causar efeito adverso como o estresse
O ato de cuidar traz sentimentos nobres, mas também pode causar efeito adverso como o estresse do cuidador. Com o aumento da expectativa de vida, acompanhada da maior proporção de doenças crônicas, nos deparamos com uma expansão de idosos com incapacidades e necessidade de cuidadores em grande período do dia ou em tempo integral.
À medida que aumentam a incapacidade e a dependência do idoso, as obrigações do ato de cuidar sofrem mudanças, exigindo maiores esforços para suprir as necessidades, podendo gerar no cuidador estado de vulnerabilidade, desgaste físico, psicológico e/ou social. A maioria dos cuidadores se queixam de sobrecarga e, frequentemente, de depressão, estresse e ansiedade. Muitos abandonam a profissão, as atividades de lazer e até mesmo o autocuidado, e como consequência, geram prejuízos na sua própria qualidade de vida e no cuidado prestado ao idoso.
Atualmente o perfil de cuidadores é caracterizado por uma maioria de mulheres, familiar do idoso, geralmente esposa, filha ou nora e que não recebem remuneração pelo trabalho. Muito devido a fatores culturais, as mulheres acabam assumindo este papel de cuidar, muitas vezes não valorizado e que, somado a outros papéis desempenhados, geram o estresse. Além disso, geralmente não faz parte da rotina dos profissionais da saúde avaliar a saúde e bem-estar dos cuidadores, fazendo com que estes indivíduos se mantenham sem apoio.
O quadro de estresse excessivo pode produzir consequências para o indivíduo em si, para sua família, para a empresa em que trabalha e para a comunidade onde vive. O estresse psicológico produz cansaço mental, dificuldade de concentração, perda de memória imediata, apatia e indiferença emocional. Também é comum surgir o auto- questionamento em virtude da percepção do desempenho insatisfatório. Iniciam-se o isolamento social, as crises de ansiedade e de humor depressivo, a libido diminui e os problemas de ordem física se fazem presentes, como dor crônica, distúrbios gastrintestinais e tontura.
Devido à grande incidência de estresse, voltar a atenção aos cuidadores, entendendo os limites individuais físicos, sociais e emocionais envolvidos no ato de cuidar, torna-se imprescindível no âmbito da saúde coletiva, tanto para proporcionar melhor qualidade de vida e menor sobrecarga aos cuidadores como para garantir o cuidado ao doente. O estresse do cuidador pode afetar negativamente não só a sua própria vida, mas também o cuidado prestado ao idoso.
Dividir a ato de cuidar com outro familiar ou cuidador profissional pode ajudar a prevenir o estresse. Além disso, o ideal e recomendável é que o cuidador também realize atividades de lazer e faça a prevenção da saúde com exames e consultas de rotina, buscando ter uma alimentação saudável e praticando atividade física regularmente.
Essas recomendações se tornam inviáveis para um cuidador e família com condições financeiras limítrofes. Por isso, a importância do acolhimento e da escuta, do atendimento multiprofissional e do olhar para o cuidador nos serviços públicos.
Dra. Eliza de Oliveira Borges
Geriatra
CRM-GO: 14388
RQE: 9751
- Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Goiás;
- Residência em Clínica Médica pelo Hospital de Urgências de Goiânia ( HUGO);
- Residência em Geriatria pelo Hospital de Urgências de Goiânia;
- Titulada em Geriatria pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG);
- Pós – graduação em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium Latinoamérica / Medicina Paliativa, Buenos Aires- Argentina;
- Preceptora da Residência de Clínica Médica do Hospital Alberto Rassi- HGG;
- Integrante do Núcleo de Apoio ao Paciente Paliativo ( NAPP), Hospital Alberto Rassi- HGG.
- Presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia Seção Goiás (Gestão 2020 a 2023).
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